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Mostrando postagens com o rótulo Memórias Teatrais

MEMÓRIA 19 - ABAJUR LILÁS

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  Conta Plínio Marcos que ele escreveu sua primeira peça baseando-se num caso real que aconteceu em Santos, sua cidade natal.  Chocado com a história de um rapaz que “foi preso por uma besteira e, na cadeia, foi currado” ele escreveu “Barrela” em 1959. Dez anos depois em sua última peça, “Abajur Lilás” ele volta a mergulhar no subterrâneo santista, cidade portuária,  para recolher os motivos e os personagens de mais uma obra prima.   Com a mesma estrutura dramaturgica que “Dois Perdidos numa Noite Suja” é em “Abajur Lilás” que Plínio Marcos alcança sua mais verdadeira dramaturgia. Tem pleno domínio da carpintaria teatral. A temível crítica teatral Bárbara Heliodora (1923-2015), que se notabilizava pela severidade, escreveu que Plínio atingira a “perfeita economia dramática”. O que de nada adiantou, já que a peça foi censurada quando estava em fase final de ensaios e permaneceu proibida até 1980, cinco anos antes da ditadura militar desocupar a moita do poder. A proib...

MEMÓRIA 18 - DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA

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  Na segunda-feira depois da estreia de “ Navalha na Carne ” intensificamos os ensaios de “Dois Perdidos numa Noite Suja” . Peça icônica, escrita por Plínio Marcos (1933-1999) em 1966. A estreia, no mesmo ano, foi para poucas pessoas no Bar Ponto de Encontro em São Paulo. Com direção de Benjamin Cattan e Plínio Marcos com o próprio Plínio no papel de Paco e Ademir Rocha como Tonho. A peça causou sensação e gerou duas novidades uma boa e outra bem ruim: fez um sucesso enorme no Rio de Janeiro dirigida por Fauzi Arap e foi proibida pela censura.   Na década de 1960 Plínio Marcos já era considerado um dos nossos grandes dramaturgos. E também uma figurinha carimbada pelo Serviço de Censura de Diversões Públicas que  já existia desde antes da i nstauração da ditadura militar. “Barrela”, sua primeira peça, havia sido proibida em 1959 e foi liberada por intervenção do Paschoal Carlos Magno apenas para uma única apresentação. A partir do ditador Castelo Branco, Plínio passou d...

MEMÓRIA 17 - NAVALHA NA CARNE

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  Como de costume na noite de estreia chegamos cedo no Arena. Muita coisa ainda para terminar. A peça estava bem ensaiada. O trio do elenco estava muito coeso e cheio de energia. Se davam bem e se estimulavam, se pilhavam uns aos outros. A medida que a tarde passava e gente sentia o nervosismo aumentar. A gente tinha feito um ensaio geral sensacional no dia anterior. Combinações gerais entre os atores, passagem de algumas cenas. Passagem de luz. Tudo vai se aprontando. Tinha tudo pra dar certo.   Dezessete horas. Tr ê s horas nos separavam do nascimento da peç a. Inaugura ção do primeiro ato do Projeto Teatro Brasileiro. Eram muitos convidados. Nossos amigos, alguns colegas de teatro, “g ente importante ” convidada pela produção. Muita gente viria assistir nossa estreia. Repassar o s detalhes do cen á rio. Revisar o s detalhes dos figurinos. Os detalhes da s cena s . Dezoito horas. Sa í um pouco do ambiente denso do interior do teatro. Fui tomar um ar. Não me lembro ao c...

MEMÓRIA 16 - ARENA CONTA PLÍNIO MARCOS – O COMEÇO DE TUDO.

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  Finalmente, em 1995/96 eu me senti apto e maduro pra encarar a direção. Até então eu havia me exercitado bastante dirigindo peças infantis e uma que outra experiência como diretor de teatro para adultos. Em 1993 dirigi “A Dama da Noite”, um conto de Caio Fernando Abreu, com Walkíria Ghres e Rodrigo Freire. A encenação foi apresentada na Sessão Maldita que acontecia no porão do Teatro Renascença. Em 1995, na Cia. Stravaganza, dirigi “O Pastelão”, espetáculo de comédia dell’arte. No elenco eu, Adriane Mottola, Luiz Henrique Palese, Pinduca Gomes, Liane Venturella e Alexandre Tosetto. No ano seguinte fiz a direção de “Cagaoro”, solo da atriz e professora Laura Backes sobre um texto de Ítalo Calvino. Com todo este currículo me senti apto.     Em 1995 comecei a formatar um projeto que eu acalentava há pelo menos uns dez anos para apresentar no edital de ocupação do Teatro de Arena. O prêmio era ocupar o Teatro por seis meses e mais a fabulosa quantia de R$ 10.000,00 pra vo...

MEMÓRIA 04 - O BARÃO NAS ÁRVORES DA REDENÇÃO

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Considero a montagem de O Barão nas Árvores da Redenção uma aventura teatral. E acho que eu posso dizer que todos, todas e todes que participaram da montagem consideram aquela encenação como um marco nas suas vidas e nas suas carreiras. Todos celebram o acontecimento inédito e ousado que tiveram a sorte de participar. Lamentavelmente, por causa da crônica falta de visão dos nossos administradores da Cultura e do Turismo, o espetáculo foi apresentado somente em oito sessões. Desculpem a acidez, mas são uns tapados. Amarram Porto Alegre no atraso. Apostam em manter a da cidade como a província que não é mais. O ano era 1997. Eu e minha grande amiga Patrícia Fagundes, atualmente, uma conceituada e importante diretora, estávamos passando pela experiência de trabalhar juntos na encenação de três textos clássicos de Plínio Marcos no Teatro de Arena. Conversei com ela sobre a ideia de montar o texto de Ítalo Calvino sobre as árvores da Redenção. Ela aceitou na hora. As peças ainda estava...

MEMÓRIA 02 - BAGASEXTA

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A segunda colocada no ranking dos comentários foi a Bagasexta festa-onírica-performática-teatral-dançante que estreou no Depósito de Teatro da Benjamin Constant em novembro de 2002. Tudo começou pelo menos uns dez anos antes quando eu fui para o Rio de Janeiro com o espetáculo “Decameron”, produção da Cia. Teatro di Stravaganza, com direção de Luiz Henrique Palese. Era 1993 ou 94. Numa noite de folga fui assistir um espetáculo que fazia um enorme sucesso num pequeno teatro carioca. O espetáculo se chamava Teatro de Terror, foi criado e era protagonizado pela atriz Vic Militello (1943-2017) que abria a noite dizendo assim: “Boa noite. Inacreditável que vocês tenham vindo. Nós avisamos… Mas mesmo assim vocês vieram nos assistir. Bem-vindos ao pior espetáculo em cartaz na cidade. O crítico veio e escreveu que é tão ruim, que é quase bom. Ficamos preocupados, precisamos piorar. Aqui, o público é sempre o mesmo, o espetáculo é que muda a cada semana.” Era um sucesso “cult” absoluto que ...